sábado, 19 de janeiro de 2013

O Portugal de José Luís Peixoto é igual ao meu

Querido Pedro, o meu Portugal é igual ao do José Luís Peixoto. É branco. É múltiplo. O nosso escritor contemporâneo mais talentoso tem, felizmente, mais vocabulário, mais clareza de espírito, mais facilidade em passar algo tão complexo para palavras. De forma tal, que até parece simples! Eu bem te disse que ele era bom. Não pude evitar a lágrima no canto do olho ao ver a senhora com o gatinho, ao sentir o reconhecimento do escritor pela parte daquelas crianças, daquela terra, daquela gente. Sorri quando chegou à parte dos emigrantes – essa espécie em crescimento. Pergunto-me qual será o Portugal de Sócrates, de Sampaio, de Passos, de Cavaco, desses administradores corruptos, desses deputados sujos. Pergunto-me se terão vergonha dos seus avós..., é que os avós deles de certeza que têm vergonha dos seus netos. Pergunto-me que cor terá Portugal para eles..., é que o estão a pintar de preto. Pergunto-me que vida teria caso decidisse ficar, - que vida teriam os que dependem de mim? Pergunto-me se esses filhos da puta se perguntam o mesmo. E, no meio de tantas dúvidas que tenho, a única certeza é que não. Um abraço. E obrigada. Obrigada por encurtares a distancia, por partilhares, e sobretudo por me lembrares que te lembras.