quarta-feira, 3 de dezembro de 2008

O teu colo...

Lembro-me de quando era menina... Tu estavas doente Avô. Já estavas muito doente. E eu, inconsciente das saudades que teria de ti e do teu colo, fui embora. Saí de casa. Saí da tua casa sem aproveitar os teus últimos momentos de lucidez. Não me perdoarei. Não me perdoes também.

E agora quero voltar atrás mas isto não é nenhum filme. E agora quero dizer que te amo e que, quando crescer, quero ser como Tu. Consegues ouvir-me? Consigo chegar até ti?

Quando estava na Polónia sonhei contigo. Eu nunca sonho Avô. Nunca sonho. Tinha a mania de ouvir música enquanto dormia. E estava ali, naquela cama pequena, com uns lençóis que nunca chegavam para cobrir os pés, no limbo da (in)consciência. A minha colega acorda-me porque eu chorava muito. Sonhei que estavas ali de novo. No portão da nossa casa, comigo nos braços.

E agora sei que não perdemos a vida num momento, vamo-la perdendo à medida que perdemos quem nos faz viver.

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